terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Vazio do Fait Divers (por Luiz Otávio Tal)


Ele está presente em todas as capas de jornal. Às vezes em pequenas manchetes, perdidas entre as informações. Já chegou até mesmo ao jornalismo on-line, ocupando o espaço dedicado às últimas notícias. Agora mesmo eu estava navegando pelo site do jornal O Dia e a primeira notícia com que me deparo é a seguinte: “ladrão é pego após roubar duas vezes a mesma casa”. E esta característica não é exclusividade do ciberespaço e do jornalismo impresso. De Gil Gomes a Luis Datena, há tempos vem conquistando a televisão.

O fait divers funciona como um romance do jornalismo; um gênero a parte. É o mecanismo utilizado para a publicação de acidentes e pequenos escândalos, sempre em tons sensacionalistas. Ao contrário dos fatos ligados a pessoas conhecidas ou a categorias próprias (saúde, educação, economia), que são informações que exigem um conhecimento prévio e que desencadeiam desdobramentos, o sensacionalismo trabalha unicamente com o universo externo de cada indivíduo, já que não é necessário cultura para absorvê-lo.

Este tipo de articulação se dá quando há o confronto de, pelo menos, dois elementos de um fato. Esta relação pode ser fruto da causalidade, que une dois termos de uma história a fim de produzir espanto, em que a causa é sempre desviada de sua lógica. A notícia publicada hoje pela Folha Online ilustra bem esta situação: “homem é preso após assaltar rabino com arma de brinquedo em SP”. Neste caso a revelação é sempre mais pobre do que o pressuposto inicial. Espera-se que um bandido promova assaltos com armas de verdade. No entanto, a nota surte o efeito desejado pela existência de uma curiosidade inesperada.

A relação de coincidência também designa o sensacionalismo. O acaso existe em função da variação, logo uma repetição de acontecimentos sempre chama a atenção. A coincidência pode ser de relação numeral, como o exemplo citado logo no início deste texto ou quando revira a causalidade, contrapondo os termos, como uma espécie de antítese. Um bom exemplo é a notícia publicada hoje pelo jornal O Dia On-line: “enterro de mulher que morreu em academia será hoje”. O que se espera quando uma pessoa vai até a academia é que fique com as formas definidas ou, ao menos, com a saúde em dia. Pois foi justamente o contrário que aconteceu com a carioca Natasha Fabrini, de 35 anos, que morreu enquanto fazia ginástica localizada, segundo o repórter Marco Antônio Canosa.

O que se percebe é que esse tipo de jornalismo vem ganhando cada vez mais espaço. Embora considerado um exercício de mau gosto, ele tem apelo popular, uma vez que consegue atingir a massa atomizada, que vive desprendida de memória. Ao final de um fait divers permanecemos mudo, pois os fatos expostos desviam do conceito de cultura.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Adeus a Roy Scheider (por Luiz Otávio Tal)


1971. Aquele ano foi marcado por uma revolução dentro do gênero policial. Até então o público estava acostumado com os filmes de estética noir, que se popularizou entre as décadas de 40 e 50. Com roteiros mirabolantes, este tipo de filme acabava por privilegiar o suspense em detrimento da ação. Eis então que surge, com apenas 36 anos, William Friedkin (O Exorcista), reinventando o gênero com Operação França (The French Connection). É claro que não se trata do primeiro filme policial a se destacar - antes disso Steve McQueen havia se popularizado com Bullit em 1968 – mas foi o primeiro a lançar uma fórmula, que passou a ser copiada nas películas seguintes: a da dupla de policiais.

Neste clássico a dupla é formada por ninguém menos do que Gene Hackman, mais explosivo do que nunca, e Roy Scheider, incorporando o policial que privilegia muito mais o cérebro do que a força física. “Popeye” Doyle (Hackman), chega a ser imprudente – uma atitude impensada acabou provocando a morte de seu antigo parceiro – e suas atitudes poderiam levá-lo em direção a novos erros se não fosse a sensatez de Buddy Russo (Scheider). O fato é que Gene Hackman merece todos os méritos pelo desempenho, que foi recompensado com o Oscar, mas se não fosse o apoio de Roy Scheider, acredito que esta fórmula nem chegaria a vingar.

E é com lamento que, mais uma vez, faço uso deste espaço para homenagear um grande ator que se despede. Aos 75 anos, o americano de New Jersey, morreu hoje, deixando um respeitável legado para Hollywood. Indicado ao Oscar por Operação Franca e por All That Jazz, interpretando a persona de Bob Fosse, Roy será sempre lembrado como o oceanógrafo de Tubarão, filme que abriu portas para uma grande onda de blockbusters.

Era o típico ator coadjuvante. Apesar dos pequenos papéis, na maioria das vezes, sempre encontrava uma fresta para brilhar. Foi assim em Maratona da Morte e em A Casa da Rússia. Ultimamente se dedicava aos seriados e a manifestações contra o governo norte-americano.

O Partido de Deus (por Luiz Otávio Tal)


O Partido de Deus é um movimento de resistência que lançou programas de saúde e bem-estar social em seu país, abriu escolas, e começou a olhar para além dos limites da política, criando um movimento de caráter nacional. O partido conta com a força de um jovem na liderança que já conseguiu construir uma boa reputação por sua honestidade e capacidade de planejamento estratégico. O reflexo é o aumento estrondoso de popularidade junto à população, ao ponto de ser saudado como o partido da salvação nacional. Tanto apoio fez com que ganhasse voz no governo e no ano 2000 obteve 12 cadeiras parlamentares nas eleições legislativas.

A história acima é uma das mais gloriosas a não ser por um detalhe: o tal Partido de Deus nada mais é do que o movimento “terrorista” Hizbollah. O nome é uma associação das palavras Hizbu (partido) e Allah (Deus).

Terrorista está grafado entre aspas porque a questão não é bem essa. A imprensa brasileira, talvez influenciada pela norte-americana, vem estereotipando o movimento exclusivamente como terrorista. Este aspecto vem da necessidade de definir o “bem” e o “mal” dos conflitos, encontrando assim um responsável por toda a frustração e destruição. O papel de bode expiatório da imprensa cabe, então, à força de resistência libanesa. Esquece-se assim todo um histórico de construção nacional através de apoio social e representação política.

O Líbano é sempre visto como o responsável por toda onde de baixas civis, destruição de hospitais e escolas de acordo com os jornais. A afirmativa sugere que os ataques vindos de Israel ou até mesmo das forças armadas americanas não matam pessoas inocentes ou atentam quanto o patrimônio dos países em conflito. Isto se deve ao fato de que Hizbollah ou Hamas são para a grande maioria grupos fundamentalistas radicais, ao contrário da estrutura sólida do Estado presente em países como Israel e EUA. Tido como radicais, estes grupos não têm o direito de lutar por suas causas e nem mesmo contra a ocupação estrangeira.

A manipulação da mídia em geral é claramente percebida sem precisar de muita pesquisa. Ao colher opiniões junto ao público universitário (teoricamente mais informado), a maioria dos entrevistados responderam que Hizbollah nada mais é do que um movimento terrorista. De cada dez pessoas abordadas, apenas duas lembrava-se do caráter social e político do movimento. “A primeira coisa que me vem à mente quando ouço a palavra Hizbollah é terrorismo” diz Iara Nascimento, estudante de 24 anos. Já Carolina São José, 20 anos, na contramão da maioria das pessoas, diz que é uma pena o tratamento que a mídia dá ao grupo, uma vez que há todo um trabalho social por trás.

Uma pena tanto descaso. Esta atitude só exacerba o comportamento passivo do país frente às grandes potências. Enquanto crianças morrem e cegam-se os olhos, vão se maquiando e modelando as informações para que adquiram o contorno a fim de atender as necessidades capitalistas dos impérios dominantes.


Histórico

O Hizbollah foi fundado no Líbano em 1982 em resposta as constantes invasões de Israel. Hoje conta com uma facção política e outra armada, conhecida como resistência Islâmica. A primeira grande vitória do grupo islâmico aconteceu em 2000 além das cadeiras no parlamento, conseguiu expulsar, depois de duas décadas de ocupação, o exército de Israel da região sul do Líbano.

O movimento é apoiado, tanto política quanto economicamente, pelo Irã, além de manter uma boa relação com a Síria e contar com fundos próprios, inclusive com empresas. Seu jovem líder é o xeque Sayyed Hassan Nasrallah, que é ovacionado por grande parte da população, além de encontrar adeptos pelo mundo todo que não hesitam em levantar seu retrato e faixas em atitude de protesto e apoio.

Além da milícia e do partido político, o Hizbollah mantém uma rede de hospitais, escolas e orfanatos e ainda uma emissora de TV. Tem 14 cadeiras (devido às últimas eleições legislativas, realizada em junho de 2005) entre as 128 do Parlamento libanês; seu eleitorado lhe permitiria ter pelo menos o dobro disso, mas o grupo faz campanha também para outros partidos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Da coxia ao camarim: nos bastidores do espetáculo do tempo (por Luiz Otávio Tal)

“Você acha que nós estamos enganando a natureza? Do jeito que ela tem nos tratado, não me importo de enganá-la um pouco”. Benjamin Luckett – Cocoon


Wilford Brimley no set de Cocoon: inconformismo na terceira idade. (Foto: Divulgação)O inconformismo do personagem, vivido pelo ator Wilford Brimley, está cada vez mais em evidência nos dias atuais. No filme, Benjamin tenta driblar o envelhecimento ao ser convencido, por um grupo de extraterrestres, a passar uma temporada no espaço sideral. Ficção à parte, mesmo com os meios de comunicação divulgando ideais de comportamento, os idosos hoje pensariam duas vezes antes de aceitar uma proposta dessas.

Para a integrante do núcleo de atividades da Associação Municipal de Apoio Comunitário (AMAC), em Juiz de Fora, Ivanilda de Souza, a velhice é apenas um estado de espírito. “Às vezes vejo senhoras que estão doentes em cima de uma cama porque se entregaram. Antigamente as vovós ficavam só fazendo crochê na poltrona e hoje em dia não. Todos estão muito ativos. Estou com 74 anos, mas não me sinto velha”.

Uma realidade idosa


Nos dias atuais, os meios de comunicação desempenham um papel fundamental na construção da imagem social. Por meio da TV, do teatro e do cinema, mensagens são emitidas a todo o momento, alterando o modo pelo qual as pessoas se relacionam, podendo criar, às vezes, um abismo entre gerações.

De acordo com o censo realizado no ano 2000 pelo IBGE, cerca de 15 milhões de pessIdosos assistem peça de teatro no Pólo: 10% da população no Brasil está na faixa dos 60 anos. (Foto: Raphael Carvalho) oas no Brasil já estavam na faixa etária dos 60 anos, o equivalente a 8,6 % do total da população. Hoje este número já está na casa dos 10%. Ainda assim, esse contingente, na maioria das vezes, revela um tratamento estereotipado por parte da mídia.

Por outro lado, ainda segundo o IBGE, os centenários no Brasil, que somavam mais 13 mil em 1991, ultrapassaram a casa das 24 mil pessoas no ano 2000, ou seja, um aumento de 77%. Assim, apesar de toda uma cultura de valorização da juventude, se percebe que a realidade está mudando de cena.

Pensando a sociedade

Para a assistente social da Casa de Cultura Centro Geracional Pólo Interdisciplinar na Área do Envelhecimento, Josimara Delgado, mesmo com o aumento da população idosa ainda é difícil encarar a velhice. “Envelhecer é uma coisa complicada, porque a juventude é um valor muito forte dentro da sociedade e a gente sabe que a idade ainda acarreta em um desligamento das redes de participação social das pessoas”.

Maria José Sinhoroto: a mídia deve ser usada como uma arma. (Foto: Raphael Carvalho)O problema se agrava quando se percebe a escassez de obras cinematográficas ou teatrais, que tratem a terceira idade como tema central. Geralmente, o idoso representa o papel de menor destaque nas produções, muitas vezes abordado de maneira caricata e restrita. A coordenadora executiva da AMAC, Maria José Sinhoroto, acredita que os meios de comunicação são armas úteis na divulgação do respeito, contudo, ela entende que a ferramenta tem sido pouco usada neste sentido. “A mídia continua a discutir pouco a questão da terceira idade. É preciso pensar na necessidade de se divulgar permanentemente, porque a mídia é um aliado. É através de um rádio, por exemplo, que vai chegar ao idoso lá da periferia, que não sabe ler, a informação”.

E é preciso também encarar com o espírito crítico os poucos espaços que se abrem com o objetivo de repercutir a questão do idoso. Até mesmo a opinião de especialistas deve ser encarada com ressalvas, como explica Josimara Delgado. “Todas as imagens sociais que se pretendem universais não estão inócuas. Ao mesmo tempo em que elas protegem o idoso, criam um sujeito social. Neste sentido, o termo terceira idade é uma invenção”.

O teatro dos vampiros

O teatro comercial ainda é um meio de comunicação restrito à elite. Sua estrutura demanda muitos investimentos, o que encarece o preço dos bilhetes. Contudo, a produção de peças no Brasil permanece muito ativa. Em termos comparativos, basta perceber que o número de espetáculos em cartaz é comprovadamente maior do que o número de filmes nacionais nos cinemas. Ainda assim, as tramas refletem pouco os problemas da terceira idade, como conta o responsável pela oficina de teatro do Centro de Convivência da AMAC, Marcelo Jardim. “No teatro em geral, os idosos não têm muito espaço. O teatro profissional segue a mesma linha da televisão. Eu quase não vejo idoso no elenco de uma peça”.

O teatro educativo ou pedagógico é a saída para este problema. Para a terceira idaFim das atividades: a oficina da AMAC conta com elementos da psicoterapia. (Foto: Luiz Otávio)de, estas oficinas funcionam como uma terapia. Por meio do teatro é possível desenvolver a memória e aprimorar as atividades motoras, que são fundamentais para o bem-estar. A oficina da AMAC, em particular, conta também com os princípios da psicoterapia. Formado em psicologia, Marcelo conjuga o ator e o terapeuta para extrair um melhor desempenho de seus alunos. “É uma idade que tem limitações, contudo eu não tenho do que reclamar. Eles têm uma generosidade muito grande em relação à arte”.

A maioria dos idosos que procura o teatro já traz o desejo pela arte desde a infância. Como na década de 30 era quase impossível seguir carreira, eles acabavam abandonando o sonho. Outros procuram o Centro de Convivência para conseguir superar algum trauma. Ilda Paiva, de 77 anos, chegou à oficina após perder a filha. “Vim para AMAC lá embaixo. Perdi uma filha de 39 anos e não foi fácil, mas hoje eu sou outra pessoa. Tenho uma vida ativa”.

Cinema, aspirinas e urubus

O cinema, ao contrário do teatro, oferece preços mais acessíveis. No entanto, a grande maioria dos idosos não se sente confortável devido à longa duração dos filmes ou, então, têm dificuldades em se locomover até as salas, que não costumam oferecer acomodações adequadas. Este desinteresse, por parte dos idosos, só tende a aumentar, na medida em que cada vez menos se vêm retratados na telona.

O papel do cinema tem um impacto muito grande na sociedade, contudo, no Brasil este papel ainda é pequeno. Há poucos filmes sendo produzidos, se comparado à indústria americana, e os que chegam ao mercado dificilmente conseguem se firmar frente à política das salas de cinema no país, que valoriza muito mais o produto importado. Ministrando a disciplina Documentário em TV pela faculdade de Comunicação Social da UFJF, Cristiano RodriguesMaria Helena: desinteresse pelo cinema. (Foto: Raphael Carvalho)erença. “Até houve um avanço neste sentido, porém o idoso, na maioria das situações, é pouco discutido e quase nunca mostrado. Enfim, em determinadas questões ele está completamente invisível”.

Tanto descaso afasta os idosos em torno da discussão. Aluna do Pólo desde 2000, Maria Helena de Carvalho, de 68 anos, admite não se interessar pelo cinema. “Sobre filmes eu não posso comentar, porque francamente não os vejo nem em casa e nem nas salas de cinema”. Já o membro do grupo Teatro Alternativo da AMAC, Jorge Mizael, de 77 anos, se afastou do cinema por outros motivos. “Eu gosto mais dos filmes antigos com Ginger Rogers e Gene Kelly. Hoje o cinema mostra muita violência e preconceito, ensinando quem assiste a agir da mesma forma”.

Deus (apareça na televisão)

A TV no Brasil é, comprovadamente, o veículo de comunicação que funciona como referência no dia-a-dia das famílias, tendo uma influência tremenda em cima de tudo o que transmite. De acordo com o Ministério da Educação, o número de domicílios com TV, no país, mais que dobrou entre os anos de 1982 a 1995. Eram cerca de 15 milhões e hoje este número já ultrapassa a casa dos 34 milhões de domicílios. É ajChristina Musse: terceira idade ganha contornos de folclore na telinha. (Foto: Raphael Carvalho)udado pela televisão que as pessoas vão construindo seus valores próprios. Ela tem tanto importância na educação, quanto na questão do entretenimento. No entanto, uma discussão importante como à situação dos idosos é deixada de lado, na maioria das vezes. As inserções sobre o envelhecimento são escassas e se fazem de tempos em tempos.

Para a professora Christina Musse, do departamento de rádio e TV da faculdade de Comunicação Social da UFJF, a terceira idade ganha contornos de folclore na telinha. “Acredito que a TV ainda trate de uma forma um pouco mítica a questão do idoso, ou seja, ou a pessoa da terceira idade é apresentada como aquela que já está sem vida produtiva, ou de uma forma política, com a imagem do avô e da avó de uma cidade pequena”.

Esta influência exercida pela TV é logo percebida quando levantada à questão junto aos alunos dos dois núcleos em Juiz de Fora. Quase todos os idosos entrevistados citaram a novela de Manoel Carlos, “Mulheres Apaixonadas”, como exemplo a ser seguido. Há sete anos no Pólo, a professora aposentada Itamar Cerqueira, de 64 anos, está desacreditada no papel da TV. “A maioria das novelas é hipócrita. Elas não tratam o envelhecimento com naturalidade. Endeusam a juventude e o físico”. Já para dona Ivanilda, da oficina da AMAC, a novela é uma válvula de escape. “Eu admiro muito as novelas. Elas tratam da realidade, porque nossa vida é um teatro. Tem muitas coisas que a gente vê, pensando que é mentira, mas no fundo sabemos que é real”.

Os caminhos para a inclusão

O fato é que os meios de comunicação, de um modo geral, não contribuem para a construção social. Como veículos mediadores eles deveriam mostrar a diversidade das pessoas, construindo um mosaico de pensamentos. Hoje, cada grupo social tem suas peculiaridades, assim estes veículos teriam que dar cabo

A assistente social do Pólo do Envelhecimento, Josimara Delgado, acredita que a melhor forma dJosimara Delgado: inclusão por meio das políticas sociais. (Foto: Luiz Otávio)e se conseguir a inclusão é por meio das políticas sociais. “É muito difícil travar esta questão nos meios de comunicação, mas eu acho que devemos divulgar mais e promover mais cursos e palestras acerca do envelhecimento como uma coisa mais complexa do que vem sendo tratada. Trazer a imagem real do idoso para o centro das discussões”.

Por fim, a coordenadora executiva da AMAC, Maria José Sinhoroto, diz que para começar a promover a inclusão temos que, de maneira individual, encarar a realidade em nossa volta. “É feio usar o termo velho, mas é uma palavra recorrente, pois todos nós vamos ficar velhos um dia. Seja envelhecimento, idoso, terceira idade ou o nome que for, sempre devemos tratar a questão com respeito”.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A História do Cinema - Parte I (por Luiz Otávio Tal)


Depois de merecidas férias, estou de volta ao blog. E aproveito a oportunidade para estrear uma nova coluna a fim de discutir as principais escolas cinematográficas. Contrariando as cartilhas, vou me pautar em discutir filmes importantes de cada período e assim ilustrar as características de cada movimento. O intuito não é entrar nos pormenores de cada momento, mas sim estabelecer uma visão mais objetiva do processo. Elegendo obras importantes o cinéfilo consegue perceber, de maneira mais fácil, como cada escola teve sua importância. Ao final de cada resenha listarei outros títulos relacionados.

Surgido no final do século XIX, pelas mãos dos irmãos Lumiére, o cinema foi evoluindo ao longo dos anos, estabelecendo linguagens e promovendo revoluções. Se em 1910 um movimento de câmera causava estranheza na platéia, que invariavelmente saía da sala de projeção perplexa, hoje os recursos tornaram-se repetitivos e pouco inventivos. A grande maioria dos filmes que estão atualmente em cartaz se inspira, de alguma forma, nos movimentos do passado. Sendo assim, entender como se processava a imagem no passado é fundamental para absorvê-la no presente.

Preparem a pipoca, pois estamos embarcando em uma viagem que vai desde a obscuridade do Expressionismo Alemão à beleza da Nouvelle Vague francesa. Inicio esta coluna com uma análise do filme de Charles Chaplin, das famosas comédias burlescas, que é o pioneiro, ao lado de Buster Keaton, na criação da linguagem no cinema.

COMÉDIA BURLESCA

O Garoto

EUA, 1921

Charles Chaplin

Uma mãe solteira deixa um hospital de caridade carregando nos braços seu filho recém-nascido. Sem capacidade para criá-lo, uma vez que fora abandonada pelo amante, deixa a criança no banco traseiro de um carro de luxo. O carro é roubado e o bebê novamente abandonado, desta vez em uma ruela. Eis que entra em cena Chaplin, na figura do vagabundo que encontra a criança. Inicialmente ele tenta se livrar do bebê, mas gradativamente um amor entre os dois surge. Cinco anos após o incidente a mãe se torna uma famosa atriz e agora com dinheiro quer seu filho de volta. Carlitos, por sua vez, não quer perder o garoto.

Este foi um dos primeiros filmes cujo gênero era impensável até então. Até mesmo os maiores roteiristas do período desconsideravam a mistura do slapstick (farsa grosseira) com a emoção. Muitos defendiam que não era possível combinar gêneros, ou se fazia um drama ou apelava-se para a comédia. Hoje em dia, no entanto, vemos uma centena de filmes em cartaz, em que o tema principal é justamente o de brincar com gêneros, passando uma rasteira na platéitaa.

Em O Garoto, primeiro longa de Chaplin, há inovações significativas, que trazem soluções originais para época e cria um padrão que até hoje é copiado. O filme mudo, narrado por expressões e diálogos inseridos na tela, praticamente não possui movimentação de câmera. Todos os movimentos são executados pelos personagens.

Para alternar entre o drama e a comédia, são usados alguns recursos que são facilmente percebidos ao longo da projeção. Nas cenas melodramáticas há o escurecimento nas extremidades ressaltando a situação; já nas cenas cômicas é utilizada a câmera rápida, que desencadeia um maior dinamismo. Isto é importante, uma vez que no lançamento do filme ainda não havia a trilha sonora, que só foi composta por Chaplin em 1971.

Ficha Técnica

Título original: The Kid. Direção: Charles Chaplin. Roteiro: Charles Chaplin. Intérpretes: Charles Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance, Carl Miller, Phyllis Allen, Chuck Reisner, Tom Wilson, Henry Bergman, Albert Austin. Produção: The First National Films. Comprimento: 1700m (8 bobinas).


Ver Também:

  • Em Busca do Ouro (Charles Chaplin) – 1925
  • Amores de Estudante (Buster Keaton) – 1927
  • A General (Buster Keaton) – 1927
  • O Homem das Novidades (Buster Keaton) – 1928
  • Luzes da Cidade (Charles Chaplin) – 1931
  • Tempos Modernos (Charles Chaplin) – 1936
  • O Grande Ditador (Charles Chaplin) - 1941

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Férias... (por Luiz Otávio Tal)


Depois de tanto tempo digerindo sapos e fazendo vista grossa para tantas coisas, é chegado o momento do descanso. Pelos próximos 15 dias o blog ficará sem minhas postagens. Estarei refugiado neste pequeno paraíso incrustado em terras brazucas. Até lá aguardo e-mails e comentários com sugestões e críticas. Bom Carnaval a todos!!!

Pão e Circo Para as Massas (por Luiz Otávio Tal)



A mídia, às vezes, remete-nos ao passado. Na Roma da Antiguidade Clássica, César dava à massa pobre e faminta os espetáculos vividos no Coliseu; era a chamada política do “Pão e Circo”. Ao povo fornecia-se pão, para saciar a fome, e shows de combates entre gladiadores, para saciar a mente. A massa, por conseguinte, dificilmente se rebelava contra os governantes daquela cidade, uma vez que estava alimentada tanto física quanto mentalmente. Esta analogia nunca se apresentou tão assertiva para ilustrar a situação atual dos meios de comunicação de massa.

Nestes termos, a mentalidade da massa hoje não é muito diferente daquela massa da antiguidade. O país atualmente enfrenta crises políticas, num tempo em que a população deveria aproveitar para extrair todo conhecimento político necessário para tentar coibir, futuramente, novas decepções e assim passar efetivamente a construir uma cultura, indo fundo nos reais problemas e não se deixar enganar pela memória fraca. No entanto, a grande maioria da população encara as crises como shows, ajudada pela espetacularização da mídia, que transforma toda a CPI em um grande programa de TV. Hoje canais como TV Senado têm sua audiência garantida, graças aos contornos circenses. As pessoas acompanham a CPI como uma espécie de novela na qual o próximo capítulo irá revelar o vilão.

Na questão política a futilidade é até mais amena. O que de fato atrai mesmo a audiência é a possibilidade de tornar-se celebridade de um dia para outro, é a febre dos realities shows e revistas de fofocas. É por isto que atualmente esta tão evidente esta política do pão e circo. Hoje, ao invés de batalhas entre gladiadores, temos a briga pelos 15 minutos de fama, a especulação da vida alheia e principalmente, a disputa “épica” por um milhão de reais, nos programas de TV. A única diferença que se pode perceber, é que no Brasil as pessoas saem do circo de barriga vazia. Elas se contentam com o espetáculo, enquanto a fome mata silenciosamente.

A conscientização para a mudança deve partir da massa, pois sempre será mais vantajoso para mídia oferecer ao mercado esta futilidade, esta homogeneização. Até mesmo o jornalismo tem-se contaminado com esta cultura inútil. Vide o exemplo do Jornal Nacional, ao dedicar quinze minutos de sua programação ao nascimento de Sacha. Este é só mais um exemplo entre tantos outros. Agora, mais do que nunca, o povo tem que se voltar contra este “estímulo-resposta” barato e fazer valer seu direito como cidadão.

Não quero pregar aqui uma política que coloque fim à diversão, contudo é preciso dosar o que é absorvido. É preciso olhar para política com outros olhos, assim como para a programação televisiva. A mídia pode até persistir em seu bombardeamento de futilidades, contudo se nós, como público alvo, mudarmos nosso olhar e passarmos a enxergar as coisas como um olhar crítico, tudo será bem diferente. Neste dia poderei descansar aliviado, pois o Pão fartará o país enquanto o Circo não mais jorrará sangue.